sábado, 18 de abril de 2009

Vida de imigrante

Há algum tempo que emigrei. Vim, com o meu companheiro, para o norte da Europa à procura de uma vida melhor. Não interessa agora o país. Penso que isto deve passar-se um pouco em todo lado.

Inicialmente parecia difícil arranjar trabalho. Ninguém nos conhecia e referências nossas vinham do sul. Depois de arranjar o primeiro trabalho começou a ser mais fácil encontrar outros e mais.

Já tinha ouvido dizer que era preciso ter cuidado em assinar um documento escrito numa língua para nós desconhecida. Também ouvi dizer que haviam empresas que quando queriam despedir um funcionário estrangeiro que ainda não dominasse o dialecto, os fariam assinar um documento como se fossem os funcionários a despedirem-se da empresa. Duvidei que fosse comum, até um dia em que fiquei de cama e recebi um telefonema. Pensei que quisessem saber como estava, o que tinha, se estava melhor e quando poderia retomar o trabalho. Mas ouço do outro lado do telefone: “isto não pode continuar. Vais escrever uma carta ou um mail a dizer que não podes vir trabalhar”. Nesse momento passaram-me vários avisos. Já me tinham dito que sempre que alguém não pode ir trabalhar por motivo de doença deveria frisar bem que se encontrava doente. Respondi, então, que se pudesse ia trabalhar, mas que de momento estava doente. “então depois diga-nos alguma coisa, assim que se sentir melhor”. 

“O mundo é uma selva” sempre ouvi dizer.

Anónimo 

Sem comentários:

Enviar um comentário