terça-feira, 19 de maio de 2009

Hoje fui ao neurologista

Hoje fui ao neurologista.
Tenho tido fisioterapia com regularidade e de certa forma até que me sinto melhor. Mas assim que faço qualquer coisa banal que exija algum esforço lá pioro... e à noite assim que me deito não encontro posição que me dê conforto para dormir. 
Na consulta de neurologia fizeram-me uns exames mas nada fora da normalidade foi revelado.
Comecei a detalhar os sintomas... "não, ainda pensámos que talvez pudesse ter algum problema neurológico mas acho que não". Continuei a detalhar as situações em que as a dor ocorre mas "isso deve ser um problema muscular. Vou fazer o relatório para o seu médico de família. Adeus." Retribui-lhe o cumprimento e saí da sala.
Tinha vontade de chorar. 
Ainda não foi desta que tive alguma informação e continuo sem saber o que se passa comigo e, por isso, sem saber o que pode ser feito e quanto tempo mais vou ter que ficar em casa, sem poder fazer certas tarefas diárias.
Senti ainda uma falta de interesse pela minha queixa como, também me senti um objecto para com o qual o "mecânico" não tem qualquer interesse em continuar a investigar pelo simples facto que "acha" que não tem haver com a sua área. 
Volto ao ponto inicial e penso ir a Portugal onde a minha médica de família ouve-me e não fica satisfeita enquanto não chegar a um resultado. Admiro-a como profissional e como pessoa. Sempre demonstrou muito interesse pela sua área, que penso ser fundamental para que se evolua na medicina, e ainda trata os seus doentes com respeito e sensibilidade.


sábado, 18 de abril de 2009

Vida de imigrante

Há algum tempo que emigrei. Vim, com o meu companheiro, para o norte da Europa à procura de uma vida melhor. Não interessa agora o país. Penso que isto deve passar-se um pouco em todo lado.

Inicialmente parecia difícil arranjar trabalho. Ninguém nos conhecia e referências nossas vinham do sul. Depois de arranjar o primeiro trabalho começou a ser mais fácil encontrar outros e mais.

Já tinha ouvido dizer que era preciso ter cuidado em assinar um documento escrito numa língua para nós desconhecida. Também ouvi dizer que haviam empresas que quando queriam despedir um funcionário estrangeiro que ainda não dominasse o dialecto, os fariam assinar um documento como se fossem os funcionários a despedirem-se da empresa. Duvidei que fosse comum, até um dia em que fiquei de cama e recebi um telefonema. Pensei que quisessem saber como estava, o que tinha, se estava melhor e quando poderia retomar o trabalho. Mas ouço do outro lado do telefone: “isto não pode continuar. Vais escrever uma carta ou um mail a dizer que não podes vir trabalhar”. Nesse momento passaram-me vários avisos. Já me tinham dito que sempre que alguém não pode ir trabalhar por motivo de doença deveria frisar bem que se encontrava doente. Respondi, então, que se pudesse ia trabalhar, mas que de momento estava doente. “então depois diga-nos alguma coisa, assim que se sentir melhor”. 

“O mundo é uma selva” sempre ouvi dizer.

Anónimo 

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Doença e emprego

uns meses atrás arranjei um emprego, perto de casa e com horário flexível. Mas, quando fiquei doente e informei a minha chefe, uma semana após ter iniciado actividade, ela não acreditou em mim e quis que eu fosse trabalhar.

Fui ao médico. Disse-lhe que tinha dores na coluna e ele receitou-me uns anti-inflamatórios, pensou que fosse apenas dores musculares e, que, daí uns dias eu me sentisse melhor.

Resolvi ir para o trabalho enquanto estava a ser medicada, pois não queria perder o emprego. Tive uma conversa com a minha chefe que me disse para trabalhar com calma. Fui trabalhar, nesta situação, três dias. Mas no terceiro dia só fiquei meio tempo. No dia seguinte não estava melhor, nem mesmo na semana seguinte.

Voltei  ao médico e informei a empresa sobre os novos resultados. Tenho um disco vertebral danificado. Tenho tido sessões de fisioterapia e não sei o tempo de recuperação. Na semana seguinte, um mês após ter iniciado actividade nesta empresa, recebi uma carta a desejar-me sorte a informar-me de que a empresa não estava mais interessada em mim.

Suzi

domingo, 5 de abril de 2009

Preconceitos e discriminação

Os meios de comunicação são grandes culpados pela discriminação. Há uma série de preconceitos, nas notícias transmitidas, nos temas e como esses mesmos temas são abordados, no conteúdo de alguns programas e, principalmente nos anúncios. Eu tenho a liberdade de escolher qual o tipo de programa que me interessa mas, também, tenho noção, principalmente hoje, do ofensivo e discriminatório existente em conteúdos de algumas mensagens. Mas, cresci entre muitos preconceitos e com eles também me moldei. Quantas vezes me senti rejeitada ou por ser gordinha, ou por não me vestir roupa de marca.
Para trabalhar somos discriminados pela idade, nacionalidade e aparência e não acaba aqui. E se alguém ficar doente no início de um contrato é quase certo ser despedido; isto também se aplica a uma mulher que engravide.
Parece que não estamos no melhor caminho. Que tipo de pessoas e de sociedade teremos amanhã?

Suzi

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Há muito que queria partilhar experiências que, para mim, pareciam insólitas.
Num mundo onde a discriminação e a injustiça nos persegue desde a tenra idade...
Se a família ou nome não for objecto de escolha ou de exclusão, somos todos alvos no momento em que pomos os pés na escola. A instituição escolar tem tido a função de separar classes e de acentuar as suas diferenças, ainda não nasceu a escola perfeita, que para mim é aquela que conseguir integrar todos os pequenos cidadãos sem lhes recusar todas as oportunidades que, neste momento, só alguns têm.